Sangue no Esperma

RESUMO

Conhecido tecnicamente pelo nome de HEMOSPERMIA, é a presença de sangue no esperma ejaculado. É uma queixa rara em indivíduos jovens e mais frequente em homens de meia idade. Na maioria dos casos de hemospermia que atendemos, a investigação urológica minuciosa não revelou a existência de nenhuma doença, sendo considerada de origem desconhecida. É importante esclarecer que, em 60% dos casos, o homem terá um episódio único de sangue no esperma, não aparecendo nas ejaculações subsequentes.

A presença de sangue na ejaculação pode estar associada com processo infeccioso inespecífico (da próstata, vesículas seminais, uretra, epidídimo ou testículo), infecção específica (tuberculose), tumores benignos e malignos da próstata e vesículas seminais, calculose da próstata, hiperplasia da mucosa das vesículas seminais, entre muitas outras causas.

Na literatura médica os trabalhos e relatos sobre o assunto são esparsos, pouco frequentes e em nenhum caso se nota a preocupação com uma normatização da conduta diagnóstica, provavelmente devido ao fato que em muitos casos mesmo uma investigação mais detalhada não revela a causa da hemospermia.

De fato, em diversas ocasiões não chegamos a nenhuma conclusão diagnóstica, restando-nos apenas fazer o seguimento do paciente para observação. Em outros chega-se à conclusão diagnóstica ou de forma mais simples ou após uma elaborada investigação, de forma que o tratamento dependerá logicamente do achado de alguma doença, nesse caso tratando a causa básica. Caso não se encontre uma explicação para a hemospermia e o sangue continue aparecendo no esperma, um tratamento empírico com algumas medicações pode resolver o problema.

LEITURA COMPLETA SOBRE HEMOSPERMIA

INTRODUÇÃO

Hematospermia ou hemospermia significa presença de sangue no sêmen ejaculado. Embora muitas vezes visto como um sintoma de pouca significância, sangue na ejaculação geralmente causa grande preocupação nos homens que apresentam o problema. A condição é comum e muitos episódios passam despercebidos. Sendo assim, a quantidade de homens com hemospermia permanece desconhecida e pode ser maior do que imaginamos. Na maioria dos pacientes com hemospermia, nenhum exame diagnóstico adicional é necessário além da consulta. No entanto, em alguns pacientes, a hemospermia pode ser o primeiro sinal para outras doenças urológicas.

O primeiro relato de hemospermia nos EUA ocorreu em 1894, mas importantes personagens da história da medicina, como Hipócrates, Galeno e Fournier já haviam comentado sobre esta condição. Sem dúvida, o surgimento de novos métodos de imagem alterou tanto o diagnóstico quanto o tratamento da hemospermia.

CONSULTA

Um início de conversa com o paciente, concentrando a investigação principalmente em traumatismos, infecções e doenças hemorrágicas ajuda a suspeitar melhor o que possa ter causado o sangramento no esperma.

A maioria dos homens com hemospermia é jovem (média de idade de 40 anos) e têm sintomas com duração de 1 a 24 meses.

A maioria dos pacientes têm mais do que um episódio, ocorrendo ao longo de semanas ou meses. Enquanto não há uma definição universalmente aceita sobre a hemospermia crônica, a presença de sangue no esperma em mais de 10 ejaculações merece uma avaliação mais profunda. Outras autoridades preferem definir a ejaculação crônica em relação ao tempo, ou seja, mais de um mês com sangue no ejaculado.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Outras causas menos frequentes de hemospermia incluem:

EXAMES

Exame de urina e cultura

Exame de urina e cultura pode ser útil porque as infecções urogenitais podem estar associadas a hemospermia. Infelizmente, a taxa de cultura positiva é baixa, variando de 6 a 29%. Uma vez que este exame é de baixo custo e um resultado positivo sugere uma causa, a cultura de urina é recomendada em todos os pacientes que se apresentam com hemospermia.

Se a história sugere exposição à tuberculose, cultura de urina para BAAR pode ser útil porque a tuberculose é uma causa de hemospermia em até 13% dos pacientes em algumas publicações científicas.

Em homens mais jovens, a uretrite deve ser considerada nos diagnósticos diferenciais e esfregaços uretrais podem ser obtidos e examinados para ajudar a excluir uretrite inespecífica e gonocócica.

Sangue no sumário de urina (hematúria) requer uma avaliação mais extensa do trato geniturinário. Pacientes com hemospermia e hematúria devem ser submetidos aos seguintes exames: exame de urina, urocultura, citologia de urina, ultrassonografia ou tomografia computadorizada do abdome e da pelve com contraste e cistoscopia (endoscopia da uretra e bexiga).

Análise do sêmen e da cultura de sêmen

O papel da análise do sêmen e da cultura ainda não está claro. Embora defendido por alguns autores, a importância de uma cultura positiva permanece incerto, pois isso pode simplesmente representar a contaminação da uretra.

Análise do sêmen pode ser útil na diferenciação de hemospermia verdadeira de outras causas de descoloração da ejaculação.

Smith et al relataram dois casos de melanospermia como a característica de apresentação do melanoma maligno. A melanina produz uma coloração marrom escuro ou preto de sêmen em vez de vermelho ou rosa, como ocorre na hemospermia. Se necessário, os dois podem ser diferenciados com base nos achados de cromatografia. Um sêmen normal deveria aparecer como um coágulo que se liquefaz após um período de 5 a 25 minutos.

Exames de sangue

Um PSA é recomendado para todos os homens com mais de 50 anos, homens da cor negra e os homens com mais de 40 anos e história familiar de câncer de próstata. Hemospermia pode ser um prenúncio de câncer de próstata.

Estudos de coagulação são recomendados em homens de todas as idades com hemospermia persistente (mais de 2 meses), porque esta condição está associada a coagulopatias.

CONDUTA MÉDICA

O principal objetivo na abordagem de um homem com hemospermia é acalmar  e reduzir a ansiedade do paciente assustado. Hemospermia raramente está associada a doença grave, especialmente em homens mais jovens. Os três fatores que determinam a extensão da avaliação e tratamento incluem:

A maioria dos tumores associados hemospermia ocorrem em pacientes com mais de 40 anos. As hemospermias crônicas exigem investigação mais agressiva para identificar um fator causador.

Em homens mais jovens com hemospermia não persistente, apenas um exame de toque retal é suficiente como parte de um exame físico cuidadoso. Em homens com mais de 50 anos com hemospermia não persistente e sem hematúria concomitante ao exame de urina, uma avaliação básica consiste de uma DRE e uma dosagem de PSA. Todos os pacientes com hematúria associada precisam ser submetidos a uma avaliação do seu sistema urinário superior (com urografia excretora, ultra-sonografia das vias urinárias ou tomografia) e inferior (com cistoscopia). Hemospermia persistente (mais de 2 meses sem etiologia definida) também requer uma investigação mais completa.

Diagnosticando infecções urogenitais como o agente causador da hemospermia, uma terapia antibiótica adequada normalmente resolve o problema. Em todos os homens, deve haver cobertura antibiótica para as enterobactérias (Escherichia coli especialmente). Em homens mais jovens, a terapia concomitante para infecções por clamídia deverá também ser usada. A fluoroquinolona deve tratar adequadamente ambos os organismos. Se o paciente é alérgico às fluoroquinolonas, uma combinação de trimetoprim/sulfametoxazol mais doxiciclina geralmente é bem eficaz. Um curso de 2 semanas de antibioticoterapia é normalmente suficiente. Inflamação associada pode ser tratada com quaisquer medicamentos anti-inflamatórios.

Casos de varizes na próstata ou na uretra como causa da hemospermia podem ser tratados com fulguração endoscópica, enquanto cistos de vesículas seminais ou da uretra prostática podem ser aspiradas por via transretal.

Problemas de coagulação sanguínea devem ser encaminhados para um Hematologista.

Homens com hiperplasia benigna da próstata e dificuldade para urinar podem ser tratados com finasterida ou dutasterida.

Autor

Dr. Alexandre Dr. Aranha

Dr. Alexandre Aranha Trigueiro é médico formado pela UFPB em 1997, com pós-graduação em cirurgia geral e urologia, mais de 10 anos consecutivos de experiência e milhares de cirurgias abertas, endoscópicas e laparoscópicas realizadas...

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